Psicanálise e Pesquisa: Constituição do Sujeito
Apresentação
Esta série, Psicanálise e Pesquisa, destina-se a apresentar os efeitos da interdisciplinaridade
entre o discurso psicanalítico e os outros discursos.
Apesar das dificuldades inerentes à sustentação de uma interface entre
campos de saber distintos e em função dos limites impostos pela particularidade de cada discurso, um grupo de psicanalistas da Escola Lacaniana de Psicanálise –RJ decidiu lançar-se em uma experiência de escuta, para além da realizada no privado de seus consultórios, na direção do que podemos nomear de clínica geral.
O grupo se dividiu sob o modo de cartéis para evitar os efeitos privilegiando um trabalho mais eficaz na elaboração e transmissão da experiência.
Assim, cada livro da série guardará uma forma particular de lidar com
os enunciados e com as enunciações, isto é, com o que aponta para a singularidade
de cada fala, evidenciando o sujeito do discurso em questão.
Os escritos de cada texto privilegiaram o que pode ser elaborado
em cada experiência, a partir da escuta dos significantes que permeavam
É o órgão de base de uma Escola de Psicanálise. Proposto por Jacques Lacan, o cartel baseia-
se em um trabalho de elaboração levado a cabo a partir da escolha entre si de quatro
cartelizandos Mais Um, cujo encargo é o de zelar pelos efeitos internos bem como provocar
a elaboração. Aposta-se, ao seu término - que não deve ultrapassar dois anos de duração –,
que um produto individual advenha desnodulando o cartel.
O campo então, pesquisado. Portanto, os relatos recolhidos nos livros da
série não são, necessariamente, citações rigorosas dos entrevistados, mas um
trabalho laborioso de tessitura na composição de uma tela, em que a cena
emoldurada possa ser vista por todos e as conclusões sejam obtidas a partir da
leitura realizada com os significantes de cada um. Optamos por um modo de
escrita na qual a autoria constituiu-se a partir da leitura dos textos e demais
materiais de pesquisa realizada pelos cartéis envolvidos. Para tal, tomamos
como exemplo os livros de Scilicet, ainda inéditos em português, nos quais
este modo de transmissão do saber psicanalítico privilegia a experiência do
conjunto dos analistas-autores-de-textos, fundando-se sobre o princípio do
texto não assinado “(...) pelo menos por qualquer um que contribuirá com
um artigo como psicanalista”. Não se tratando de anonimato, ao conjunto
da publicação segue-se a lista dos analistas e colaboradores que deram a sua
contribuição, a partir do que, Lacan, sendo o único a assinar seu texto, punha
à prova a transmissão em psicanálise ao privilegiar a elaboração teórica
como produto de um ensino, o seu. Nesta série, optamos por um resgate
dessa forma de publicação cabendo, à Escola Lacaniana de Psicanálise –
RJ a única assinatura, cujo privilégio a uma produção coletiva aposta que esta
seja o testemunho de um ensino em psicanálise.
Assim, o recolhimento e tessitura dos vários ditos constituem uma
trama, na qual o que importa é a topologia estrutural de um texto alinhavado
para transmitir o não-senso real da experiência com o inconsciente.
SUMÁRIO
I. Apresentação 9
II. Introdução 13
III. Corpo Teórico 17
III .1. Interdisciplinaridade 17
III.1.1 Psicanálise e Medicina 17
III.1.2 Psicanálise e Psicolingüística 35
III.2. Pulsão 49
III.3. Autismo e psicose infantil 57
IV. Corpo Subjetivado 67
IV.1. Efeitos da presença do psicanalista na UTI neonatal 67
IV.2. Os possíveis de nossa intervenção no HUAP 83
IV.3. Um caso clínico: Aquilys 91
V. Perspectivas 97
VI. Breve histórico das Pesquisas na ELP-RJ 99
VII. Glossário 107
VIII. Referências Bibliográficas 111
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