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Revista Dizer - NĂºmero 12

O encaminhamento estrutural do dispositivo analítico está na dependência do que verdadeiramente se passa na escrita do discurso analítico, na medida em que o analista, no seu ofício de analista, terá que freqüentar os desdobramentos de uma antinomia transacional entre uma subjetividade desejante, como estrutura de trabalho psicanalisante, e o que se coloca em ato de uma objetividade do desejo do analista. É a partir daqui que se dá a lógica máxima de uma posição estrutural do amor de transferência, a saber, O SUJEITO SE FAZ OBJETO AMÁVEL, posição engenhosa e astuta de todo e qualquer psicanalisando, na medida em que procura presentificar o analista no lugar do Outro como ideal do eu, por meio do suporte de um traço distintivo a partir do qual o sujeito se posiciona para se ver amável; do outro lado, a resposta do analista, como não-resposta que introduz a dimensão da falta do Outro.

Por isso mesmo, a manobra da transferência se escreve como o psicanalista tendo que regular entre o ponto em que o sujeito em análise se vê amável e o ponto, traumático por essência, de onde se vê produzido como falta. O sujeito só existe por conta dessa causa, daí que o trabalho analítico de uma interpretação está no sentido de se delinear uma determinação do sujeito, na medida em que a transferência, fundamentalmente no mar do amor, incita a uma constante indeterminação do sujeito.
 
124 págs. ISBN: 16744111

 

 

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