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A formação dos psicanalistas

"Os ensinamentos da psicanálise baseiam-se em um número incalculável de observações e experiências, e somente alguém que tenha repetido essas observações, em si próprio e em outras pessoas, acha-se em posição de chegar a um julgamento próprio sobre ela". (Sigmund Freud, "Esboço de psicanálise", 1938)
 
Partimos daquilo que seria o final de um percurso: o tornar-se psicanalista e sua autorização. Como alguém se torna psicanalista? Essa pergunta se encontra na origem dos grupos analíticos e deve ser levada às últimas conseqüências.

Desde Freud, a formação dos psicanalistas se inscreve como da ordem de um tornar-se, fruto de um trabalho de construção que se processa fundamentalmente numa experiência de análise: a formação dos psicanalistas é uma formação permanente. Toda e qualquer psicanálise pessoal levada a termo poderá causar um psicanalista. Depois, é outra história.

O argumento de base deste seminário está nas afirmações de Jacques Lacan, datadas de 1973, em sua "Carta aos psicanalistas italianos'": "Pois afirmei, por outro lado, que é do não-todo que provém o psicanalista. [...] Não-todo ser ao falar poderia autorizar-se a fazer um psicanalista. A prova é que a psicanálise ali é necessária, embora não seja suficiente. [...] Somente o psicanalista, ou seja, não qualquer um, se autoriza por si mesmo" (Lacan, 1973).

Quais as conseqüências desta afirmação? Os grupos analíticos que seguem esta afirmação operam com os parâmetros de uma formação a partir de critérios próprios e específicos de uma lógica: o Outro não existe, há uma inconsistência do Outro. Quando não é este o caso, os critérios se inscrevem pelo viés de uma garantia que é dada antecipadamente: o Outro existe. Então, por um lado, temos os psicanalistas que se autorizam por si mesmos e, por outro, aqueles que são autorizados: a inconsistência do Outro é a tradução da incidência do ato psicanalítico, que está na origem discurso psicanalítico.

Assim, a Escola Lacaniana de Psicanálise - RJ trabalha com os elementos que testemunham a formação de um futuro psicanalista: a entrada em análise, o transcurso das transferências, a passagem de psicanalisante a psicanalista, as destituições subjetivas, o final de análise e o passe.

Autor: JOSÉ NAZAR


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