BATE-SE NUMA CRIANÇA OU A CONSTRUÇÃO DA FANTASIA
Trabalharemos a partir do texto freudiano paradigmático "Bate-se numa criança", em que comparece pela primeira vez a elaboração dos três tempos da fantasia fundamental. Para tal percorreremos, em Freud, a sua hipótese inicial sobre a fantasia de sedução nas histéricas e a questão da cena primária.
Esta leitura não é sem Lacan que, em seus inúmeros seminários e escritos, afirmará a importância da construção da fantasia no percurso do tratamento. E a partir da fantasia que Lacan dará as coordenadas lógicas para o final de análise, quando o sujeito poderá fazer o luto da posição de objeto que ocupou para o Outro em sua estruturação.
CIRANDA DE PSICANÁLISE E ARTE
Durante os últimos 7 anos venho desenvolvendo pesquisas no campo das artes, que propiciaram a realização de cinco Cirandas, junto com alguns membros da ELP.
A idéia é manter um espaço permanente de interlocução com esse campo, procurando retirar da experiência o máximo de ensinamentos que me permitam avançar na investigação sobre o objeto da psicanálise, isto é, o sujeito.
Este ano tomarei a via literária como interlocutor, a partir de Machado de Assis.
MENOPAUSA: O MEIO DA VIDA?
O meio da vida inaugura-se encenando uma trama em que algo desconhecido chega e confunde, mistura os sentimentos e humores, encobre os sentidos. Algo que parece vir de um território desconhecido deixa esta mulher que começa a trilhar o meio da vida exilada em sua própria terra. O corpo passa a se manifestar a partir de variáveis desconhecidas, demandando a construção de referências que demarquem a trilha que começa a se desenrolar. Trata-se de um momento que lembra a adolescência: vão acontecendo coisas que não aconteciam antes...
Minha proposta é que nos debrucemos sobre os textos psicanalíticos que tentam desvendar esta temática, tendo como lume a obra de Freud e Lacan, assim como o texto de Marie-Christine Laznik O complexo de Jocasta. As obras do campo da literatura, das artes visuais e da antropologia servirão de eixo de interlocução no estudo desta temática.
O DESEJO E SUA INTERPRETAÇÃO
A neurose é uma defesa contra o desejo. Essa é uma afirmação lacaniana que pode ser encontrada no Seminário livro 5, justamente quando ele trabalha "A dialética do desejo e da demanda na clínica e no tratamento das neuroses". O neurótico está sempre em desacordo com o tempo, está sempre entre responder a demanda de amor ou assumir os riscos do desejo, o obsessivo numa posição de procrastinação e a histérica de antecipação. Vê-se logo que o tema do desejo está longe de ser simples, primeiro porque ele se distingue radicalmente do querer (Queres o que desejas?, nos pergunta Lacan) e também porque é no campo do Outro que ele se constitui (Desejo é desejo do Outro).
Sabemos desde Freud que não existe satisfação do desejo na realidade. E com Lacan aprendemos que o objeto do desejo é designado como objeto a, que é ao mesmo tempo objeto causa do desejo, objeto perdido.
Se o desejo não é "nem isso nem aquilo", pois uma vez nomeado ele escapa (a satisfação mata o desejo), como podemos sustentar, nas direções das análises, o encaminhamento ético proposto por Lacan: "Não cedas quanto ao teu desejo"?
A LÓGICA DA CASTRAÇÃO
O conceito freudiano de castração é, em Lacan, revisto pela submissão do sujeito ao significante. É nossa proposta para este ano determo-nos em tal revisão, servindo nos, como fonte principal de estudo, da parte do seminário 5 denominada "A lógica da castração".
PSICANÁLISE COM CRIANÇAS
A proposta deste grupo é trabalhar questões suscitadas pela clínica com crianças. Partindo do pressuposto de que não há uma psicanálise de crianças, no sentido de uma especialidade, como podemos sustentar as especificidades que essa prática convoca, por exemplo, a presença dos pais, o material utilizado durante as sessões, ou mesmo o fato de se tomar em análise alguém que ainda está desfilando os tempos do Édipo?
As crianças estão cada vez mais capturadas pela rapidez que caracteriza nosso tempo. Rapidez esta que se coloca, muitas vezes, na elaboração de diagnósticos que são verdadeiras sentenças: são os distúrbios de comportamento, distúrbios de aprendizagem, etc. Há também um incentivo muito grande no sentido de se explorar, cada vez mais cedo, as potencialidades desse pequeno ser.
Mas o que acontece se alguma coisa fracassa do decorrer deste processo? O que se passa quando os pais começam a perceber que o filho, a quem eles confiaram a tarefa de realização dos seus desejos, que este mesmo filho, tão investido e estimulado, começa a encontrar muitas dificuldades para responder a tal demanda?
O que uma psicanálise pode oferecer a essas crianças que apontam, de alguma forma, que algo não vai bem, seja com elas próprias, seja com a família ou com a escola? Partindo destas questões, o intuito deste trabalho é percorrer textos de Freud, Lacan e outros autores afim de buscar subsídios teóricos para uma melhor elaboração em torno da experiência clínica com crianças.
TRANSFERÊNCIA E INCONSCIENTE
No ano de 2007, lemos textos de Freud sobre a passagem da "hipnose-sugestão" à transferência; também lemos vários textos de Freud que falavam da transferência especificamente, e/ou que problematizavam a questão da relação transferência/resistência. Abordamos, nesse sentido, o Seminário 1 de Lacan, no qual ele enfatiza, mesmo que de maneira implícita, o que Freud indicava das dificuldades da psicanálise no que se refere às resistências (do paciente? Do analista? Do discurso?). Vamos dar continuidade a esse trabalho (que se define principalmente como "trabalho de texto"), acrescentando um outro conceito fundamental em psicanálise: o inconsciente. Serão trabalhados textos de Freud e de Lacan, podendo-se, após esse trabalho, acrescentar leitura de um outro autor para esclarecimento e/ou questionamento dos conceitos desenvolvidos.
PULSÃO E GOZO
A pulsão é um conceito considerado por muitos como difícil ou até mesmo inapreensível. Esta dificuldade talvez se deva ao fato de que a pulsão se constitui a partir do significante, mas as palavras não conseguem representá-la. Sua localização é entre o simbólico e o real, ou, como dizia Freud, entre o psíquico e o somático.
A pulsão diz respeito ao corpo, mas não ao corpo das necessidades orgânicas. O corpo pulsional é um corpo com bordas erogenizadas de onde parte o circuito da pulsão em busca de uma satisfação sempre parcial.
A pulsão na neurose está atrelada à demanda. É no lugar do desejo do Outro, portanto, de sua falta, que a demanda virá se instalar. Neste grupo de trabalho abordaremos a fixidez às demandas e às suas significações, assim como o que disso se refere ao mais de gozar. Veremos como a pulsão se articula à fantasia, à transferência e à repetição. Quanto ao gozo, é a pulsão que irá fixar um ponto de gozo fora do permitido pela lei simbólica. Aí residirá o que nos habita de inconfessável e transgressivo.
Estudaremos como o sujeito irá esvaziando a consistência das demandas em um percurso de análise até mudar radicalmente sua relação com a pulsão ao final da análise.
AS MULHERES: O AMOR E A LOUCURA
Partindo da premissa lacaniana pronunciada em Televisão de que não há limites às concessões que uma mulher faz para um homem, de seu corpo, de sua alma e de seus bens, este grupo tem por objetivo estudar a relação das mulheres com o amor: da loucura do parceiro-devastação à loucura erotomaníaca. Para tal partiremos, neste ano, dos textos freudianos que abordam a questão da feminilidade e dos textos iniciais de Lacan que tratam desta temática.
Local: Rua Gildásio Amado, 55, 1606. Barra da Tijuca
O SEMINÁRIO: LIVRO IV A RELAÇÃO DE OBJETO
Na primeira e segunda partes do Seminário, Lacan introduz a diferença radical que sua clínica traz em relação aos teóricos da relação de objeto. O que está em jogo nesta relação é a falta de objeto, em suas três vertentes: frustração, privação e castração.
Trataremos essencialmente, este ano, da terceira parte deste Seminário, na qual Lacan, ao privilegiar o objeto fóbico a partir do caso do pequeno Hans, começa a cernir o estatuto do objeto em sua teoria.
SEMINÁRIO XI
Lacan realiza seu Seminário Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise num momento especial de seu percurso teórico. Se "do lado de fora" do seu ensino há toda uma "excomunhão" que o condena, desautorizando- o, Lacan reintroduz essa questão no seu seminário para, diante da pergunta "o que me autoriza?", buscar os fundamentos da práxis analítica e a partir daí recolocar essa questão. Uma das conseqüências desta postura é que se torna urgente uma abordagem dos conceitos fundamentais freudianos, recuperando neles aquilo que fora perdido nas inúmeras tentativas dos pós-freudianos de normatizá-los no intuito de adequá-los às epistemologias científicas oriundas das ciências exatas e da biologia, dado o insuportável mal-estar que as academias sentiam ao abordar esse estranho saber freudiano e seus conceitos 'confusos'.
O SINTOMA NA NEUROSE
Ocorreram a partir de Freud, com suas histéricas, as primeiras abordagens na diferenciação do sintoma médico.
O sintoma, tanto em Freud como em Lacan, apresenta uma série de elaborações, que ocorrem conforme o momento teórico em que os referidos autores o situam em suas obras. Nosso objetivo é abordar o sintoma na neurose (histeria e neurose obsessiva); na transferência; e no final de análise. Tais pontos nortearão nossos estudos, em cujo percurso extrairemos suas conseqüências clinicas.
Local: Rua Miguel de Frias, 77, sala 1512 - Icaraí - Niterói
O GOZO E SUAS VICISSITUDES
Neste ano, daremos continuidade ao das diretrizes da teoria do gozo. Trabalharemos o escrito "Subversão do sujeito" (1960), onde Lacan vai diferenciar o que é da ordem da castração imaginária e da simbólica. A recusa neurótica está em sacrificar sua castração ao gozo do Outro. A experiência analítica nos mostra que a castração rege o desejo. "A castração quer dizer que é preciso que o gozo seja recusado para que ela possa ser atingida na escala invertida da lei do desejo" (Subversão do sujeito).
Faremos referência ao Seminário A angústia (1962-1963): entre o gozo e o desejo, o falo pode funcionar em todos os sentidos.
É POSSÍVEL UMA EDUCAÇÃO QUE VISE AO SUJEITO?
A proposta deste grupo de leitura é articular os tempos da constituição psíquica e sua relação com o processo de aprendizagem. Sabemos deste Freud, que o aparelho psíquico é efeito de linguagem dada importância e conseqüências do infantil no psiquismo de todo sujeito. A apreensão do simbólico na aquisição do processo de aprendizagem se efetua mediante a inscrição psíquica de uma perda, fundando a subjetividade e incitando ao ato do pensamento. Ao apropriar-se das funções subjetivas na aprendizagem, a criança lê e interpreta os efeitos desta inscrição originária, efeito de seu encontro com a linguagem.
Portanto, iniciaremos nosso trabalho nos questionando acerca da transmissão de saber sustentada por Lacan, como saber inconsciente, se podemos nos referir, nas suas particularidades, ao ensinar e ao educar como efeitos de transmissão? È possível uma educação que vise ao sujeito, levando em conta que Freud localiza- a como uma das profissões impossíveis?
ESPAÇO PSICANÁLISE E CINEMA
Nossa proposta é a de um espaço de articulação entre a linguagem cinematográfica e o discurso analítico sustentado pela pesquisa que vimos desenvolvendo ao longo do ano de 2007. Pensamos que a psicanálise, ao se utilizar da linguagem cinematográfica, pode explorar esse modo particular no qual podemos ler o sujeito moderno, como na apresentação da esquize entre o olho e o olhar, nos mecanismos inconscientes de condensação e deslocamento presentes nos sonhos, na própria relação do sujeito com a imagem, etc. Neste sentido, vamos privilegiar, além dos profissionais de cinema, a conexão com outros campos de saber em suas elaborações acerca da arte cinematográfica. Para tanto, durante o ano de 2008 realizaremos encontros destinados à exibição de filmes e subseqüente discussão, apresentação de trabalhos temáticos, mesas redondas, entre outros.
ARTIGOS DE FREUD
Em seu terceiro ano, este grupo seguirá com objetivo de revistar textos cruciais de Freud. A leitura de cada artigo articulada às discussões sobre a clínica nos permite verificar a atualidade das questões propostas por ele.
Local: Local: Rua Gildásio Amado, 55/1606 - Barra da Tijuca
Tel.: 2294-9336 (Leblon) / 2494-3237 (Barra)